Desfile das escolas campeãs superlota a Duque de Caxias

Impressiona o gosto do natalense pelo desfile paupérrimo das escolas de samba daqui. Tudo bem é tradição de uns 60 anos. Mas nunca houve um carnaval de agremiações carnavalescas sequer razoável por aqui, como costumam dizer. Nem nos tempos de Lucarino e Melé. Os bons tempos de carnaval em Natal, dito o terceiro maior do Brasil, foi protagonizado pelos blocos e clubes da época. Só.

Claro, esse apreço se deve ao trabalho abnegado dos carnavalescos. Sem dinheiro ainda conseguem superlotar as arquibancadas na estreita Duque de Caxias, seja no desfile oficial ou na celebração das campeãs, como ocorreu no último sábado. E o inusitado neste ano foi a enxurrada de críticas à prefeita na entrega das premiações. Vale a ressalva: o dinheiro das escolas foi creditado, mas não foi liberado.

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Uma resposta a Desfile das escolas campeãs superlota a Duque de Caxias

  1. Caro Sérgio.

    É possível mesmo que na década de sessenta (1967) o carnaval de Natal tenha sido considerado o 3º do Brasil. Afinal, nesse tempo, Olinda era uma cidade de “retiro espiritual”, sem o povo em peso na rua, contando apenas com o Homem da Meia Noite lá pras bandas do Amparo, além do Elefante e Pitombeira dos Quatro Cantos, enquanto agremiações tradicionais mais expressivas, apresentando, ainda, o séquito de alguns maracatus pelo sítio histórico da velha e tranquila Marim dos Caetés.

    Em Salvador, além de alguns tradicionais Trios Elétricos, o único ‘cordão’ famoso era o Afoxé Filhos de Gandhy, fundado em 1949 por estivadores. Não havia ainda o “Olodum balançando o Pelô” (como diz o verso de Caetano em Reconvexo), nem Ilê Ayê, nem “Ivetes, Leittes, Chicletes, Browns e todos os trios do circuito Barra-Ondina, ‘tão ligados?’

    Então, quem poderia superar os bailes dos sodalícios natalenses, as “escolas de samba” das Rocas, Quintas e Lagoa Seca, além das tribos de índios e os blocos dos mauricinhos natalenses, conhecidos como “Blocos de Elite”, tais como Jardim de Infância, Bacurinhas, Lords, Lunik, Apaches, Chefões, Psiu, Puxa-Saco e Saca-Rolha?

    Obviamente, o Rio de Janeiro e Recife sempre protagonizaram os ‘maiores e melhores’ carnavais do Brasil. Contudo, o que leva o natalense a prestigiar o “desfile paupérrimo” de suas escolas de samba lá na Ribeira velha de guerra?

    O samba no pé dos passistas, capoeiristas e cabrochas! As baterias com seus surdos, caixas, repiques, tamborins, pandeiros, cuícas e agogôs. Em suma, o povo vai pela batucada, pelo samba e não pelo luxo das fantasias e alegorias. Ou teria outra explicação?

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